segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Praticar o bem

Fazer o bem é uma atitude, uma prática. Sempre gostei do assunto e da realização de ações práticas em torno do que se conhece como o "bem", mas ultimamente, por causa das ações em torno da construção da Casa do Bem, tenho encontrado com inúmeras pessoas que falam sobre o assunto. Ao mesmo tempo que fico alegre com a quantidade de pessoas interessadas em ajudar, me causa espanto a quantidade de caras de pau que falam abertamente em ajudar, geralmente diante de outras pessoas, mas depois somem, tomam doril, não cumprem suas promessas.

Existe uma prática do bem, geralmente realizada cotidianamente por pessoas idealistas, religiosas, de bom coração e, existe também, o discurso do bem, feito em alto e bom som por aqueles que só buscam ficar bem numa conversa casual, como também até se enganar. É aquele lance da mentira. Tem gente que repete tanto para si mesma que é do bem, que é boa, que acredita no que diz mesmo que não mova uma palha para colocar em prática a conversa fiada.

Tenho encontrado desta espécie por ai. Geralmente dão muitas idéias, dizem que deveria fazer isso e aquilo para conseguir fundos para a construção da Casa do Bem, são idéias até legais, mas elas só sabem dar a idéia. Quando pergunto se podem levá-la à frente, desconversam, pedem um cafezinho, mudam de assunto e, pimba, fazem carreira.

Minha gente, idéias todos nós temos, aos montes, fazer isso e aquilo não é problema, a questão é o tempo para as ações, a força de vontade, a disposição real de fazer algo que não lhe dá retorno financeiro, só muito trabalho mesmo. Quem trabalha em prol do bem sabe que o retorno é só espiritual, que é legal amar o próximo, fazer algo pelos outros. Mas quem se propõe a fazer o bem de verdade, sem picaretagem, gasta muito dinheiro próprio, aumenta a conta do celular, do convencional, gasta combustível, tempo, precisa ter paciência de Jó e um monte de outras ciências mais para levar adiante o sonho de construir um mundo melhor, mais justo e humano.

Então o meu toque é esse. Saia do discurso do bem e entre na prática do bem. Arregace as mangas, participe, chegue junto, de conversa fiada está todo mundo de saco cheio. Se você realmente é do bem, gosta de ajudar os outros, se apresente como voluntário em qualquer uma das organizações existentes e entre em campo com o coração cheio de amor. Mas se você gosta mesmo é de conversa fiada, dê uma esmola de um real e depois procure seus amigos para dizer que é alma boa, conquiste a simpatia deles para sua nobre causa de dar uma esmola e, depois, vá dizer também a todos os seus familiares do seu grandioso gesto.

A turma do bem de "vera" não lhe recrimina, mas sabe que a construção do bem passa por ações mais efetivas e, que também, é uma prática cotidiana e não pontual.

Passemos a praticar o bem diariamente e deixemos a conversa fiada para a turma que só faz bem a seu próprio ego.

Feliz nascimento de Jesus, um homem bom, que fez muito bem a todos nós, utilizando as palavras apenas para nos lembrar a todos os momentos, que é importante que nós nos amemos uns aos outros, até mesmo a turma do bem de araque.






| Flávio Rezende, Jornalista e escritor.

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