quinta-feira, 22 de julho de 2010

Homenagem a Heloisa Galves (falecida em 09/03/10)


Foi com ela que conheci as fadas, gnomos, duendes, wicca. Por isso coloco aqui uma matéria dela, de onde você estiver, que você esteja com eles fazendo uma linda festa.Tanto que eles te levaram enquanto dormia. Valeu!



WICCA

A Wicca é a bruxaria renovada, a nova roupagem da antiga religião Celta. Seus ritos, apesar de adaptados aos dias de hoje, procuram ser fiéis às antigas práticas pagãs. Sua filosofia e preceitos renasceram e tomaram fôlego no princípio deste século, emergindo da obscuridade que sufocou durante mais de 700 anos a prática de sua fé. Mas afinal, o por que desta clandestinidade? Porquê a bruxaria carrega até hoje o estigma que a maculou séculos atrás? Em qual momento as bruxas foram colocadas à deriva da história e tiveram sua dignidade lançada a tantas milhas de distância e quantas faltam para resgatá-la?

A História
A Cristianização dos povos Celtas (séc. I) não impediu como já vimos nem a prática dos ritos pagãos, nem o crescimento de seus adeptos. Embora existissem casos isolados de perseguição fanática e intransigências religiosas por parte dos mais estóicos, o Cristianismo de certa forma tolerou a bruxaria e ambos coexistiram dentro de um mesmo ambiente em visível ebulição durante 10 séculos seguintes. No auge da Idade Média a magia também atingia seu apogeu. Suas características investigativas atraiam os que queriam algo mais que apenas crer na doutrina imposta e imutável do cristianismo. Suas práticas mágicas que resultavam em curas fantásticas e nítidos poderes, seduziam os mais inquietos e seus Deuses benevolentes, reflexos de um mundo natural, contrastavam enormemente com o austero deus único do Cristianismo. A bruxaria crescia, ganhava adeptos, sua essência feminina e maternal abraçava os camponeses sofridos e massacrados pelos senhores feudais, seus ritos da natureza e a visível união do mundo material com o mundo mágico, símbolos de uma vida equilibrada, fortaleciam os alicerces de sua espiritualidade. Pouco a pouco, porém, esses mesmos méritos que legitimaram a bruxaria e contribuíram para seu crescimento transformaram-se em forte artilharia contra a Igreja, que tornava-se cada vez mais temerosa pela perda de adeptos e pela incapacidade de explicar e os mistérios do homem e da natureza da mesma maneira que a bruxaria podia e fazia com tantos resultados prodigiosos...

A Inquisição
Movimento de perseguição às religiões nativas e pagãs, que culminou na terrível inquisição no ano 1231, teve na verdade seu início séculos antes com as primeiras reações do clero contra a ascensão da bruxaria e das ordens reformistas consideradas heréticas. Os reformistas eram formados na sua maioria por cristãos dissidentes da igreja oficial que indignaram-se com o poder político e a pompa imperial com que os líderes da igreja foram se cercando através dos séculos. Exigiam assim a volta à piedade pura de Jesus e à simplicidade de seus ensinamentos. Entre eles, os que mais ameaçaram a igreja com seu ascetismo fervoroso foram sem dúvida os catáros que espalharam sua doutrina por boa parte do continente durante os séculos XII e XIII. Se a Igreja estava, por um lado, cercada pelos reformistas radicais, que conquistavam a simpatia do povo por sua simplicidade, estava por outro perdendo terreno para a bruxaria e seus dogmas panteístas que atraíam não só os camponeses, mas um número cada vez maior de estudiosos e nobres da aristocracia européia. Assim, decidida a erradicar de uma vez por todas todos os hereges, que ameaçavam a igreja e seu poderio político, espiritual e financeiro, teve início a Inquisição, por um decreto outorgado pelo papa Gregório IX. Nos cinco séculos seguintes a Inquisição aniquilaria aos milhões todos os inimigos do cristianismo; bruxas, hereges, e todos aqueles que, de alguma maneira, não seguiam os ditames da igreja oficial eram assassinados, em sua grande maioria, queimados vivos. Estima-se que do século XII ao séc.XVII, mais de 10 milhões de pessoas tenham sido mortas por essa sangrenta instituição.

A Desculpa
É claro que a igreja necessitava ter para todos os efeitos, argumentos cabíveis que explicassem tantas mortes e perseguições . Era preciso antes de mais nada atribuir alguma culpa às vítimas, transformando-as assim em vilãs. Assim, a imagem da bruxaria foi brutalmente denegrida. Todos seus ritos foram deturpados, seus Deuses transformados em demônios e sua filosofia associada ao mal e à loucura. É óbvio que as mulheres foram as grandes vítimas da Inquisição, não apenas pelo fato da igreja exercer, nessa época, um patriarcado machista e ortodoxo que reduzia a mulher a um ser inferior e "sem alma", mas sobretudo pelo fato da bruxaria ter nascido a partir do culto de uma Deusa Mãe e ser, por essa razão um reflexo religioso do eterno feminino. Em 1486, o Papa Inocêncio III encomendou a dois monges dominicanos, Heinrich Kraemer e Jacob Sprenger, um verdadeiro tratado de caça às bruxas. Nesse "Manual do Inquisidor", deveriam ficar claros para uma fácil identificação todos os segredos, códigos e artimanhas usados pelas bruxas em seus ritos e práticas. Foi assim que a famosa obra "Malleus Malificarum", também conhecido como "O Martelo das Feiticeiras", tornou-se a maior peça de publicidade contra a bruxaria, afirmava, entre outras calúnias, que eram adoradoras do demônio e partidárias de sacrifícios hediondos em homenagem a ele. É irônico concluir que foi a própria igreja que criou a figura do diabo e o associou ao Deus Cernunnos, o Deus cornífero dos celtas e da bruxaria. Foi por essa razão que o demônio "gerado " pela igreja traz ainda hoje os mesmos chifres que desde as culturas neolíticas simbolizavam simplesmente o respeito pela caça e pelo caçador. Foi assim que através de uma perseguição sem limites que a bruxaria foi banida do panorama europeu e sumiu em sua clandestinidade durante os séculos seguintes.

O Renascimento da Bruxaria
Mesmo após o esfriamento da turba inquisitória e da volta a uma quase tolerância religiosa, a bruxaria ainda era marginalizada e manchada de culpa. Aos poucos, sua imagem deturpada e enfraquecida deixou de representar uma ameaça e foi praticamente esquecida durante os séculos seguintes, marcados pela racionalidade do Iluminismo e do Empirismo. O mundo assistiu à revolução industrial e carregou-se de uma visão materialista e analítica. A era do capitalismo e dos filósofos ateus não deixou espaço para a magia. No início do nosso século, o interesse pela espiritualidade e pelos segredos do universo foram pouco a pouco reinstalando-se. A Bruxaria, como outros temas religiosos esquecidos no passado, ergueu-se no interesse isolado de alguns pesquisadores. Foi assim que, depois de minuciosos exames nos registros dos julgamentos deixados pela inquisição, a antropóloga inglesa Margaret Murray publicou em 1921 suas pesquisas desmistificando a conotação do mal que a igreja impôs sobre as antigas religiões pagãs. Margaret também trouxe à luz várias características da velha religião. Descobriu seus Deuses e sua tendência matriarcal sedimentada pelo culto à Diana. Murray escreveu: "Era uma religião alegre, repleta de festejos e Deuses generosos. Reverenciava a natureza e sabia transformar a realidade através da magia. Isso era incompreensível para os sombrios inquisidores, cujo único recurso foi destruí-la até as mais tenras raízes." Ainda no começo do século outros pesquisadores escreveram sobre o tema, como o folclorista americano Charles Leland, com sua obra "Aradia", e o poeta inglês Robert Graves, com sua respeitada obra "A Deusa Branca". Porém, foi em meados do século, principalmente com a revogação das leis anti-bruxaria na Inglaterra em 1951, que os primeiros livros escritos por bruxos praticantes foram publicados. De todos esses bruxos, o que atingiu maior notoriedade foi Gerald B. Gardner, antropólogo amador pouco afeito a convenções que instaurou os velhos ritos pagãos e praticamente instituiu os novos estatutos da atual bruxaria. O discípulo mais contundente de Gardner, Raymond Buckland, foi para a América decidido a propagar esse renascimento do ocultismo pagão. Nessa época, por volta de 1960, inúmeros covens (grupos de bruxos) e assembléias de bruxos surgiram. Sentindo-se livres finalmente para se expor, espalharam-se pela América e outras partes do mundo. Claro que desse crescimento surgiram inúmeras variantes da Wicca. Na verdade, todas elas refletem sua natureza eclética e aberta, sem dogmas estatizados e em constante movimento. A Wicca hoje é o resultado de todos esses processos. Ainda que diversos grupos discordem quanto a prática de alguns ritos e símbolos, todos comungam da mesma fé na grande Deusa da natureza. Sua essência pura e materna conduz todos os seus filhos sempre para um mesmo objetivo comum: o equilíbrio do corpo e do espírito, da matéria e da magia; duas metades indivisíveis e unas, sempre através e em nome da Deusa, de seu amor incondicional, e de seus laboratórios encantados que afloram na natureza.

Os Fundamentos de Wicca
A Wicca como já vimos segue os mesmos preceitos dos antigos celtas. Sua magia é a magia do cotidiano, sua fé é investigativa e irriquieta, e fundamenta-se em três fatores bem definidos: o animismo (ou a idéia de que tudo no universo está impregnado de vida), o panteísmo (segundo o qual a divindade é parte essencial da natureza), e o politeísmo (ou a convicção de que a divindade é ao mesmo tempo múltipla e diversificada). Seus dogmas e tradições giram em torno da natureza, assim como seus Deuses, reflexos divinos do mundo visível. Sua cultura é a cultura da simplicidade; seu caminho, o da busca e do conhecimento; seu objetivo, a felicidade. É uma religião de vida. Cultua o presente e tenta fazer dele momento único; "Seja Feliz!", dizem as bruxas, mas nunca em prejuízo de nada ou de ninguém. Seja feliz através de seus próprios méritos e utilize nesta busca todos os ingredientes e sinais que a mãe natureza pode oferecer. Wicca é a bruxaria renovada, é a capacidade de transformar a realidade através da magia. Busca a integração do ser humano com a natureza e com as divindades. Wicca é o resgate da magia que séculos atrás moveu o mundo, e transformou desejos em realidade.

HELOISA GALVES
http://www.alemdalenda.com.br

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