sexta-feira, 3 de junho de 2011

QUANTO PAGAR E PORQUE PAGAR


QUANTO PAGAR E PORQUE PAGAR
Que fique muito claro que, a todo instante e durante todo o texto que abaixo será observado pelo leitor atento, refiro-me aos VERDADEIROS SACERDOTES de Òrúnmìlà, ou dos Cultos aos outros Òrìsà do panteão religioso Yorùbá. Estarei referindo-me aos sinceros e honestos praticantes de uma Religião digna e honrada que é a Religião que nos foi legada pelo povo Yorùbá. Pais e Mães de Santo, INESCRUPULOSOS, estão excluídos das referencias que faço abaixo, porque entendo que estes títulos já viraram sinônimo de Macumbeiro, aqueles que só comercializam com a Fé. PAGAMENTOS REALIZADOS EM DINHEIRO PELOS PRÉSTIMOS AOS ÒRÌSÀ É esta uma das mais comuns observações e críticas que vejo ser dirigida para a Religião dos Òrìsà, tendo como alvo direto o Babaláwo ou o Bàbálòrìsà /Ìyálòrìsà, ou seja, a cobrança por parte do Sacerdote e os pagamentos feitos pelos ritos que serão realizados. Excluídas todas as ressalvas que já foram exaustivamente feitas em defesa desta prática sagrada, que é o pagamento para que sejam ministrados os sacramentos que toda religião possui, e que não exclui a Religião dos Òrìsà, devo tentar fazer lembrar alguns fatos que no meu ver são de extrema relevância, tanto ao Sacerdote como ao Fiel ou Iniciado. Quando alguém paga para a realização de algum rito dirigido aos Òrìsà, ele está: 1. Contribuindo para a continuidade da existência de um Templo Sagrado dos Òrìsà, fato que gera condições para que a religião, onde sua fé está depositada, continue a existir; - Ajudando a custear a manutenção de um Sacerdote que dedica sua vida a prestar serviços religiosos para o bem estar daqueles que o procuram; - Colaborando para que o Sacerdote tenha tempo e condições de praticar, estudar e aprender mais sobre sua própria Religião, e com isso oferecer mais aos seus fiéis; - E outros. Se todas as citações acima são de suma importância, julgo que existe outra ponderação mais importante, ou seja: Quando um Fiel, ou um Iniciado, paga para que um ritual seja presidido, ele está "gastando seu dinheiro", na maioria das vezes, com sua própria Orí (cabeça, energia primordial, Orisa principal, energia interior) ou com seus próprios Òrìsà. PODE HAVER UM DINHEIRO MAIS BEM EMPREGADO DO QUE ESTE? Parece-me que os pagantes se esquecem disso! Mas ainda, não chegamos ao ápice da questão. A grande e maior importância que deve ser dada ao dinheiro que é gasto com a Religião está diretamente relacionada com o fato de se estar dedicando o sacrifício para ganhar o dinheiro, empregando um determinado valor para uma obra de Elédùmarè (Deus). Em síntese: Eu observo que as pessoas relacionadas com a Umbanda e o Candomblé RECLAMAM por gastar seu dinheiro com suas próprias Orí, com seus próprios Òrìsà e principalmente com os templos da sua própria religião, onde se pratica a obra de Elédùmarè (Deus). Mas, EXIGIR e cobrar o melhor para si, todos exigem. Como alguém pode querer receber com amor, se não dá com amor? Aqui está uma das grandes chaves para o sucesso, ou para o fracasso, de qualquer rito realizado nos Templos dos Cultos aos Òrìsà. Todas as religiões ensinam seus fiéis a dar amor para Deus. E este dar não envolve somente dar coisas abstratas, mas envolve também em dar coisas concretas, materiais e necessárias para a manutenção e existência da continuidade da religião. Elogio aqui muitos cristãos que já aprenderam a doar para as suas igrejas, ENTENDENDO que aquilo que doam é pela necessidade que sentem de fazer com que a palavra do Deus que eles acreditam seja expandida e difundida aos quatro cantos do mundo. É assim que crescem as Igrejas Evangélicas, muitas vezes causando ciúme para seus próprios irmãos da mesma fé. Mas, literalmente oposto a isso, vejo que nas casas de Cultos Afro-brasileiros as pessoas reclamam por gastar seu dinheiro com as obras de Deus, reclamam que seus Bàbá e Ìyá são pessoas ignorantes e sem cultura, reclamam que sua religião está sendo massacrada na mídia, mas eu pergunto: Qual a condição financeira que estas pessoas, que reclamam, dão para que este quadro seja revertido, já que ninguém quer pagar para obter o auxílio do Sacerdote ou do Templo que freqüenta? As Ilé Àse Òrìsà, conhecidas como Casas de Santo, não são também a Casa de Deus? Quem paga pode exigir! Exigir que o Sacerdote estude e se aprimore. Exigir que o Templo seja limpo e bem cuidado. Exigir receber ensinamentos. O Sacerdote pode até ser rico e a Ilé Òrìsà pode até ser luxuosa, desde que seus Fiéis e Filhos Iniciados também tenham sabedoria, riqueza e sucesso. Esta é a troca, que todos desejam obter de Elédùmarè (Deus) quando vão buscar o auxílio dos Òrìsà através do Sacerdote Bàbálòrìsà. Se, egoisticamente, alguém nega parte do que tem de material para as obras de Deus, o que poderá esperar em troca? Faça sua religião ser grande e forte, e você será sábio, rico e próspero. Seja mesquinho com as obras de Deus e com sua religião, e sua vida se resumirá num eterno pedir e reclamar. E, se por acaso, o Bàbálòrìsà, o Rabino, o Padre ou o Pastor empregar mal o dinheiro que recebe, a responsabilidade espiritual é dele. Faça você a sua parte, doando para as obras onde seu Deus se encontra, sempre com amor e sem apego. O Sacerdote ou o Templo são, para você, meros instrumentos. Lembre-se que, perante Elédùmarè (Deus), cada um é responsável pelos seus atos. Awofá Ifákemi Miguel Ti’obatalá EGBE MÒGÀJÍ IFÁ (COMUNIDADE HERDEIROS DE IFÁ/GO)

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